A idade das Referências

Se você é estudante de graduação ou de pós, já deve estar habituado a ler artigos e da vasculhar os referenciais teóricos que embasaram aqueles artigos. E sendo assim, já deve ter entendido que um bom referencial teórico é um dos maiores responsáveis por um bom artigo, com dados confiáveis vindos de autores renomados, que costumam publicar seus trabalhos em boas revistas científicas de suas áreas.

E a estas alturas, já deve ter pensado a respeito do referencial que vai usar em sua monografia ou tese de conclusão de pós-graduação, não é? Alguns alunos são tão preocupados com isso que já começam a pensar nisso no início do curso, pesquisando por autores, revistas especializadas da área, trabalhos apresentados em congressos, etc.. Isso é muito importante mas, além de pesquisar por bons autores, é preciso estar atento também às datas de suas publicações. Por exemplo, sempre existiram autores renomados da área de medicina, mas muitos estão aposentados ou mesmo mortos. Seus trabalhos continuam críveis e sérios, mas quais foram os últimos? Em que ano foram publicados? De lá até os tempos atuais, terão surgidos novos trabalhos sobre o mesmo assunto? Se sim, eles comprovavam os trabalhos daqueles autores antigos ou derrubavam suas teorias?

Quem gosta de coisa velha…

 É preciso se atentar com as informações e fontes colocadas em sua tese de conclusão para não ser surpreendido pela banca de professores.… é museu ou biblioteca, dizem as más línguas. Quando um examinador recebe um trabalho para avaliar, ele observa o conjunto das informações, a forma como elas foram expostas, a clareza e a precisão das conclusões – mas também verifica as fontes, as referências que o autor usou naquele trabalho. E pode acreditar: quando muitas fontes antigas foram usadas, ele torce o nariz.

Mas o que é uma “fonte antiga” quando se trata de referencial teórico de trabalho científico? Depende bastante da área do artigo. Algumas ciências, como a Administração e a Contabilidade, têm poucas mudanças ao longo do tempo, pelo menos em alguns assuntos; com isso, referências de até dez anos, em média, podem ser usadas sem receio (que o diga autores como Kotler e Otto). Já em áreas onde são observadas descobertas com frequência, como Medicina, Neuropsicologia e Educação, dez anos é tempo demais. Neste prazo, é certo de que novas publicações sobre qualquer assunto dessas ciências já foram lançadas, algumas inclusive derrubando descobertas anteriores. Nestes casos, a idade-limite para as publicações pesquisadas é de três a cinco anos, no máximo – a menos que não haja nenhuma novidade SOBRE O ASSUNTO PESQUISADO publicada neste intervalo de tempo.

Mas quando é novo demais…

As teses e suas teorias criadas em contrapartida.… existe a chance de ser desmentido. Esse é o grande problema da pesquisa científica: há um limite muito sutil entre um trabalho maduro, um trabalho velho e um trabalho novo demais. Se for muito velho, pode ter sido sobrepujado por outro mais detalhado ou mesmo desmentido devido a tecnologias de investigação mais recentes; se for muito novo (como uma descoberta), pode ser desmentido por cientistas que refaçam os testes para comprovar se aquelas conclusões procedem. Mas e o trabalho maduro? Que idade ele tem?

Em geral, três anos. Neste prazo, outros pesquisadores que tenham se interessado por aquele assunto e que tenham realizado estudos para comprová-lo já podem ter publicado seus próprios trabalhos. Estes trabalhos podem comprovar que aquele estudo anterior é verídico e chegou a conclusões corretas ou podem comprovar que, devido a algum erro do pesquisador anterior, aquelas conclusões são insatisfatórias, anulando sua importância.

Obviamente, alguns pesquisadores renomados dificilmente relatarão novidades que estejam erradas. Os próprios Kotler e Otto, das ciências de Administração e Economia, são extremamente respeitados por sua costumeira precisão, e dificilmente um novo trabalho vindo deles era rechaçado. Cada área do conhecimento tem seus ícones e seus trabalhos são tidos como confiáveis na maioria das vezes; por isto, trabalhos publicados por eles há poucos meses já são usados como referência sem receio.

Mas isto é para poucos. Mesmo ao lidar com autores de renome, é necessário pesquisar sobre seus trabalhos recentes que pretendemos usar como referência em nossos próprios trabalhos, tanto monografias quanto teses. Este é um cuidado que valoriza muito a nossa defesa pois, ao afirmar que não usamos o trabalho de um certo autor por termos encontrado incongruências a respeito dele, fica claro que pesquisamos além do costumeiro. Simboliza esmero na elaboração do trabalho, cuidado para não usar informações errôneas. Também é função de um autor achar erros em outros autores. E isso é sempre bem-visto pelos avaliadores.

Por isso, a palavra-chave para um trabalho científico é PESQUISA. Abrangente, profunda, em busca de informações confiáveis – e também de informações que posteriormente foram comprovadas como erradas. É a pesquisa de qualidade pelo bom referencial teórico que diferencia um trabalho de todos os demais, independente da área.